Pai de João Lima pede desculpa à ex‑nora após agressões do filho; defesa diz que Raphaella foi bloqueada pelo ex-sogro
28/01/2026
(Foto: Reprodução) Violência doméstica: cantor João Lima segue preso no Presídio do Róger, em João Pessoa
O pai do cantor João Lima, preso por violência doméstica, fez um pedido púiblico de perdão à ex-nora. Cicinho Lima, que é suplente de deputado estadual na Paraíba, divulgou uma carta aberta para Raphaella Brilhante nas redes sociais. No entanto, a advogada da vítima criticou o ato, afirmando que fora das redes não houve contato, diálogo ou qualquer gesto.
As desculpas foram publicadas por Cicinho Lima, na terça-feira (27). No texto, ele afirma que esperou o momento de “cumprir o papel de pai”, entregando o filho às autoridades, e declarou repúdio aos atos atribuídos ao cantor.
“Eu esperei apenas o momento de cumprir o meu papel de pai, entregando meu filho às autoridades, de modo que cumpra e pague por aquilo que tenha causado a Raphaella e à sua família. Meu posicionamento é claro e firme: repúdio. Repúdio a todo ato de violência doméstica. Repúdio a todo sofrimento que meu filho tenha lhe causado”, escreveu.
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Cicinho Lima também disse esperar que João Lima “pague” pelo que causou à ex-esposa e à família dela.
“Meu sofrimento é por você, Raphaella, que sempre foi alguém do nosso coração; você sabe o amor que tenho (temos) por você. Nenhuma mulher merece tamanha exposição e dor. Estou com você. Ninguém cria filho pra isso. A responsabilidade pelo ato é individual, mas a dor e o arrependimento não, é de todos nós, Rapha. Perdão!”, disse, em outro trecho.
Após a repercussão do texto, a advogada de Raphaella, Dayane Carvalho divulgou um posicionamento público, também em suas redes sociais, em que contestou o pedido de perdão. Segundo ela, Raphaella, a própria advogada e a mãe da vítima foram bloqueadas das redes sociais do parlamentar.
“Chamam de pedido de perdão. Mas a vítima está bloqueada. A advogada está bloqueada. A mãe da vítima foi removida”, escreveu.
No texto, a advogada questiona a legitimidade do gesto e afirma que não houve nenhuma iniciativa fora do ambiente virtual.
“Que perdão é esse que não chega a quem sofreu? Não houve uma palavra direta. Não houve um gesto humano. Quando o perdão não é para a vítima, ele deixa de ser perdão e passa a ser estratégia”, afirmou, acrescentando que a dor da mulher não pode ser usada como cenário.
Entenda o caso
Vídeos mostram agressões do cantor João Lima contra a esposa
A Polícia Civil investiga o cantor paraibano João Lima por violência doméstica contra a ex-esposa, após vídeos divulgados em redes sociais mostrarem agressões. A vítima registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de João Pessoa.
Após a repercussão do caso, a ex-esposa de João Lima, a médica Raphaella Brilhante, publicou um texto nas redes sociais onde confirmou publicamente, pela primeira vez, a violência sofrida. Ela relatou que está enfrentando "uma dor que atravessa o corpo, a alma, e a história", e disse que "não há palavras que expliquem o impacto disso na vida de alguém".
A médica, que também atua como influenciadora e soma mais de 600 mil seguidores em apenas uma rede social, disse que "nenhuma mulher deveria precisar chegar a esse ponto para ser ouvida" e reiterou que as medidas legais estão sendo tomadas com respeito à Justiça.
Entrevista exclusiva com Raphaella Brilhante sobre violência doméstica
Em entrevista exclusiva à TV Cabo Branco, exibida nesta segunda-feira (26), a médica e influenciadora Raphaella Brilhante relatou que sofreu agressões durante o casamento com o cantor --- que ocorreu em novembro do ano passado ---, bem como na lua de mel. Segundo ela, o relacionamento durou cerca de três anos e foi marcado por controle desde o início.
INFOGRÁFICO: os principais pontos da prisão do cantor João Lima
Arte/g1
Como denunciar violência contra a mulher
Denúncias de estupros, tentativas de feminicídios, feminicídios e outros tipos de violência contra a mulher podem ser feitas por meio de três telefones:
197 (Disque Denúncia da Polícia Civil)
180 (Central de Atendimento à Mulher)
190 (Disque Denúncia da Polícia Militar - em casos de emergência)
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